Translation Data

Vidas dos artistas

Writer Giorgio Vasari (1511-1574)
Translator Ivone Benedetti (1947-...)
Organizers Luciano Bellosi (1936-2011), Aldo Rossi (1931-1997)
Classification Biografia Tradução
Years

Year of publication: 2011

Other data
Edition
1
Language
Português
Dimensions
17x24 cm
Publication medium
Impresso
ISBN
9788578274283
Pages
824
Source
  • Projeto Dicionário Bibliográfico da Literatura Italiana Traduzida
Reference VASARI, Giorgio. VIDAS DOS ARTISTAS. Orgs. BELLOSI, Luciano; ROSSI, Aldo. Trad. BENEDETTI, Ivone. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2011. 824 p.

Verbete sobre Vidas dos artistas By N.N. (Nome Desconhecido)

Vidas dos artistas - Giorgio Vasari

Por Ivone Benedetti

Outubro/2024



Sobre a obra.

⠀⠀⠀No século XVI foram publicadas duas edições das Vite: a torrentina (do nome do editor Lorenzo Torrentino), em 1550, e a giuntina (dos editores Giunti), em 1568. A tradução de que trata este verbete teve como texto original a publicação da Einaudi (2011), baseada na edição torrentina de 1550. Da equipe organizadora dessa obra participaram Aldo Rossi, Marina Gorreri e Antonia Ravasi (na revisão do texto italiano), Luciano Bellosi (na coordenação das notas redigidas por Giovanna Ragionieri, Andrea de Marchi, Francesca Fumi e Fabrizio Guidi), com cronologia de Andrea De Marchi. A apresentação é de Giovanni Previtali. A obra também conta com uma nota bibliográfica e uma cronologia detalhada da vida do autor. O texto de Giorgio Vasari é introduzido por uma dedicatória ao “Ilustríssimo e excelentíssimo senhor Cosimo de’ Medici, Duque de Florença” e apresenta duas grandes divisões. Na primeira, Vasari expõe concepções, teorias e visões sobre arquitetura, escultura e pintura. A segunda divisão é dedicada às “vidas” propriamente ditas e se compõe de três grandes partes, cada uma das quais introduzida por um proêmio. A primeira vai de Cimabue a Lorenzo di Bicci; a segunda, de Jacopo della Quercia a Pietro Perugino; a terceira, de Leonardo da Vinci a Michelangelo Buonarroti (este, ainda vivo quando da publicação da edição torrentina).


⠀⠀⠀Por que a edição torrentina e não a giuntina? Na sua apresentação, Previtali explica: “Na passagem da edição torrentina para a giuntina, de fato, Vasari acrescentou, integrou, corrigiu e normatizou muito, mas também empanou e banalizou”. É de reconhecimento geral a maior qualidade artística da edição torrentina e, diante disso, parece paradoxal a Previtali o fato de a edição giuntina ter dezoito edições italianas e oito traduções estrangeiras […] ante uma única reprodução diplomática da edição princeps!” (p. XII). Trata-se, portanto, de reconhecer e divulgar os méritos de uma obra que pareceu, injustamente, ter sido superada por um texto posterior. O excelente trabalho dos organizadores esclareceu, sempre que cabível, as mudanças introduzidas por Vasari na edição de 1568.


⠀⠀⠀Por outro lado, continua Previtali, “Vasari, em vez de se entrincheirar por trás de uma objetividade neutra, reivindica o direito de julgar a partir do seu próprio ponto de vista, segundo sua própria escala de valores. Que esse ponto de vista e essa escala de valores já não podem ser nossos é óbvio; mas isso não quer dizer que hoje podemos prescindir do testemunho e dos juízos de Vasari.” (p. XII) E, de fato, a publicação por ele apresentada enriqueceu o texto vasariano com notas imprescindíveis para contextualizar informações históricas, corrigir imprecisões, atualizar situações geográficas, esclarecer o texto etc.


⠀⠀⠀Sobre as concepções de Vasari, abundantemente expostas ao longo da obra, a que mais ressalta é a certeza de que a arte de sua época havia atingido o grau máximo de perfeição, sob os céus de Florença. A respeito, vale a pena citar os seguintes trechos. O primeiro, da dedicatória a Cosimo de’ Medici: “acredito que só lhe poderá ser grato este trabalho por mim realizado de descrever vidas, obras, estilos e condições de todos aqueles que primeiramente revivificaram as artes quando elas já estavam extintas, para depois, a cada momento, exaltá-las e orná-las, e, finalmente, conduzi-las ao grau de beleza e majestade em que se encontram hoje em dia” (p. 3). E sobre aquilo que depois passou a ser chamado de gótico: “Há outra espécie de trabalho, que se chama alemão, constituído por ornamentos e proporções muito diferentes dos antigos e dos modernos; hoje não é usado pelos melhores artistas, que dele fugiram por achá-lo monstruoso e bárbaro, esquecendo de todas as suas ordens, que mais caberia chamar de confusão ou desordem; [...] E nessas obras faziam-se tantos ressaltos, cortes, mísulas e gavinhas, que elas se tornavam desproporcionais e, frequentemente, pondo-se coisa sobre coisa, chegava-se a tamanha altura, que a extremidade de uma porta tocava o teto. Essa maneira era invenção dos godos, que destruíram todas as construções antigas e mataram os arquitetos nas guerras, de tal maneira que os sobreviventes depois criaram construções desse tipo, fazendo abóbadas em quatro arcos agudos e enchendo toda a Itália com essa maldição de construção [...] (p. 25-26).


Sobre o autor.

⠀⠀⠀Pintor, arquiteto, escritor, Giorgio Vasari nasceu em Arezzo em 1511 e morreu em Florença em 1574. Aprendeu desenho com Guglielmo de Marcillat, pintor de vidro; enviado a Florença com treze anos, passa a estudar com Michelangelo; quando este é chamado a Roma, Vasari transfere-se para Andrea del Sarto e Baccio Bandinelli. Quando os Medici são expulsos de Florença em 1527, ele regressa a Arezzo, mas depois foge de lá, para evitar a peste. Retorna a Florença em 1529, onde continua sua formação artística. Em 1531 Ippolito de' Medici convida-o a entrar a seu serviço: Vasari aceita e acompanha o cardeal a Roma, onde, juntamente com o amigo Salviati, começa a inspirar-se em Michelangelo, Rafael, Polidoro, Peruzzi: é um período intenso de estudos, que o põe em contato com o maneirismo romano. Retornando a Florença, participa ativamente das decorações preparadas para a entrada de Carlos V (1536). Em 1537 pinta Nossa Senhora com o Menino Jesus e os Santos para a igreja de Camaldoli, além de outros painéis e afrescos nos três anos seguintes. Em 1538 volta a Roma para estudar arquitetura e escultura. No ano seguinte vai para Bolonha, encarregado das pinturas do convento de S. Michele in Bosco; em 1541 encontra-se em Veneza, onde realiza uma Vênus e uma Leda, baseadas em desenhos de Michelangelo: depois decora o teto do palácio de Giovanni Cornaro. Em 1542 deixa Veneza e volta para Arezzo, onde inicia os afrescos de sua casa, que estão entre as melhores coisas que pintou. Em 1543 está em Roma, e Michelangelo, por quem sentia profunda admiração, aconselha-o a dedicar-se apenas à arquitetura. Depois de uma sucessão ininterrupta de estadas em Roma e Florença, em 1545 vai a Nápoles e executa o painel do altar-mor da igreja de Monteoliveto, a Purificação de Maria, hoje na galeria de arte daquela cidade. Regressando a Roma no ano seguinte, é aconselhado pelo cardeal Farnese, por Paolo Giovio e por outros literatos a escrever as Vidas dos artistas, algo com que há muito sonhava; depois, indo para Florença, antes do final do ano, pinta uma Santa Ceia para as freiras do convento Le Murate, hoje no museu de Santa Croce. Em 1548, assume a tarefa de realizar obras na Badia di Classe e na igreja de São Francisco em Rimini; no mesmo ano vai a Ravenna, Arezzo e Monte San Savino: em todos os lugares deixou obras de pintura. No início de 1549 instala-se em Florença, onde pinta o Martírio de São Sigismundo, concluído em 1550, para a capela Martelli da Basílica de São Lourenço. Em março desse ano é publicada, na gráfica de Torrentino, a primeira edição das Vidas. Quando Júlio III assume o trono papal, Vasari vai a Roma oferecer seus serviços. A primeira encomenda que recebe é do Túmulo do Cardeal Dal Monte, tio do papa, na igreja de São Pedro em Montorio. No início de 1553, depois de viver entre Florença e Arezzo, volta a Roma, onde trabalha na "Vinha do Papa Júlio". No final de 1554, fixa residência em Florença, trabalhando "oficialmente" para o duque Cosme I, que lhe confia a ampliação do Palazzo Vecchio e sua decoração pictórica com cenas alegóricas e históricas. Em 1560 inicia a construção da Galeria degli Uffizi, edifício destinado ao poder judiciário, sua obra-prima arquitetônica. Em 1564, projeta o túmulo de Michelangelo em Santa Croce. Em 1565, começa o corredor que, atravessando o Arno, liga o Palazzo Pitti ao Palazzo Vecchio. Nesse mesmo ano, entre outros trabalhos, decora a abóbada do Grande Salão do Palazzo Vecchio com alegorias. Em 1566 realiza uma viagem de estudos pela Itália com o objetivo de recolher novo material para a 2ª edição das Vidas, publicada em 1568. Em 1570, volta a Roma, atendendo a chamado de Pio V para pintar a capela de São Pedro Mártir, de Santo Estêvão e a dos anjos rebeldes no Vaticano. Em 1572 interrompe a decoração da Sala Régia do Vaticano para regressar a Florença, onde inicia os afrescos da cúpula de Santa Maria del Fiore. Depois retorna a Roma, onde retoma os trabalhos na Sala Régia, que o novo pontífice, Gregório XIII, quer ver concluídos o mais depressa possível. Voltando a Florença em 1574, assume a decoração da cúpula da catedral, da qual executou apenas a coroa dos Profetas e Anciãos, ao redor do olho da lanterna: a obra foi concluída em 1579 por Federico Zuccari.


Sobre a tradução.

⠀⠀⠀Quando se trabalha com um texto escrito num estado remoto da língua, é preciso fazer escolhas nem sempre fáceis. Nesse texto, em especial, além da peculiaridade linguística, há também várias questões terminológicas que precisaram ser resolvidas na tradução, não obstante o grande número de notas esclarecedoras da edição que serviu de original. Do ponto de vista linguístico, é sempre preciso estabelecer uma linha divisória entre o que não desvirtua um estilo e o que não constitui um obstáculo à compreensão do leitor; num extremo, o decalque, no outro, a paráfrase. Não permitir que o leitor se canse de um texto acidentado, cheio de construções pouco usuais nos dias de hoje, mas também permitir que ele perceba um estilo, uma cultura, uma personalidade, uma época.


⠀⠀⠀Do ponto de vista terminológico, foi preciso resolver nomes de ferramentas que já não existem e não se sabe se alguma vez existiram no universo lusófono, bem como entender a descrição de técnicas arquitetônicas (como, por exemplo, o modo como foi edificada a cúpula da Catedral de Florença), encontrar equivalente para a unidade usada nas dimensões das colunas (por ele denominadas teste, ou seja, cabeças), coisas que exigiram demoradas pesquisas até a descoberta de obras esgotadas que davam pistas ou, muitas vezes, ótimos esclarecimentos sobre essas dificuldades.


⠀⠀⠀Tudo isso torna essa obra inestimável na biblioteca de qualquer estudioso de arte.



Historical facts associated with the work

Start year End year Historical event
1415 1580 Expansão marítima portuguesa
1513 1513 Religião: Martinho Lutero rompe com a Igreja Católica
1519 1519 Expansão Marítima: Fernão de Magalhães parte da Espanha para dar a volta ao mundo. Ele morre durante a viagem, mas seus comandados completam o percurso chegando de volta à Espanha em 1922
1520 1520 Expansão Marítima: Fernão de Magalhães chega ao Oceano Pacífico via Oceano Atlântico
1536 1536 Religião: instalado o tribunal do Santo Ofício em Portugal
1543 1543 Ciência: publicado o Tratado de Astronomia de Copérnico
1545 1545 Religião: abertura do Concílio de Trento, para fazer frente à Reforma Protestante
1572 1572 Cultura: publicação de Os Lusíadas
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