Données de traduction
Os Malavoglia
Année de publication: 2002
Données sur les originaux traduits
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VERGA, Giovanni. I MALAVOGLIA. Milão, Itália: Fratelli Treves, Editori, 1881.
Langue(s): Italiano
- Projeto Dicionário Bibliográfico da Literatura Italiana Traduzida
Entrée: Os Malavoglia Par Aurora Fornoni Bernardini
Os Malavoglia
Giovanni Verga
Por Aurora Fornoni Bernardini
Outubro/2024
Os Malavoglia (1881) é o romance considerado a obra-prima do escritor Giovanni Verga (1840-1922), natural de Vizzini (Sicília) e principal representante do “verismo”, a vertente italiana próxima do naturalismo de um Zola à qual também pertenceram Luigi Pirandello, Federico De Roberto e Luigi Capuana. Nele o autor estabeleceu não apenas os princípios do “verismo” (uma análise objetiva da realidade baseada no naturalismo e a constatação das mudanças sociais decorrentes das transformações históricas na Itália da época, segundo a perspectiva dos “vencidos”), mas realizou brilhantemente, numa escritura que utiliza o discurso indireto livre e a narração em terceira pessoa, a proposta de superar o desacordo entre língua falada e escrita valendo-se de vocábulos, expressões e ditos dialetais (no caso, da comunidade de pescadores de Aci-Trezza, mas herança de gerações que se sucederam), o que determina o tom do romance.
Nele, conforme notou o crítico Antonio Candido no brilhante ensaio “O Mundo provérbio” (que solicitamos ao editor que fosse incluído no volume traduzido), “o tempo flui pastoso e as etapas não se diferenciam, fazendo os homens parecerem os mesmos, uma geração depois de outra, encasulados na fixidez dos costumes.”
Como comunicar, na tradução, a circularidade dessa estrutura, o tempo não mais histórico, mas geográfico, como o define Fernand Braudel?
A solução nos foi sugerida, primeiramente, pela diferença de estilo entre a introdução de Giovanni Verga ao romance, escrita num italiano erudito, com influência toscana visível no léxico (banhado no Arno, como dizia Alessandro Manzoni) – e resultado de sua estada em Milão, onde frequentou os salões e os círculos literários mais requintados da época ¬ , e o romance em si, que contrasta, imediatamente, pela linguagem não apenas coloquial e regionalista (o siciliano popular e o literário), mas – conforme notou argutamente Antonio Candido – que vem impregnada de ditos e provérbios.
Impregnada a tal ponto – e aqui está a grande novidade – que não só é reportada nas falas das personagens, mas contamina, inclusive, o discurso em terceira pessoa do próprio narrador, não havendo, portanto, diferença de tom entre o discurso direto e o indireto.
A história dos Malavoglia é a de uma família de pescadores que vive perto de Catania, na casa “da Nespereira”, orgulho do patriarca Padron ‘Ntoni. Esse, visando um lucro suplementar para a família, compra de um usurário certa quantidade de tremoços já passados de maduros, que o filho Bastianazzo deveria revender aos tripulantes de um navio ancorado na região. Há um naufrágio e tudo se perde. O filho morre, a dívida a ser paga implica a perda da casa, a unidade da família se desfaz. A desgraça continua: três netos abandonam a ilha, o velho e a nora viúva morrem após tentarem recuperar ao menos a casa. Quem o consegue é o caçula ‘Ntoni que resolve, porém, ir embora, no fim, “com seu cesto embaixo do braço”. Abertura e fechamento são, portanto, as dominantes que marcam o ritmo da obra, e indeterminação e parcimônia – dois termos utilizados por Antonio Candido – são os traços distintivos que envolvem a ambiência da aldeia, seus habitantes, seus usos e costumes e que tentamos manter na tradução.
Alguns procedimentos foram importantes: a repetição de termos e locuções, a criação de “ditos” em português que representassem a sabedoria petrificada nos provérbios sicilianos (que ironicamente, ou mesmo tragicamente, a realidade contradiz), a amarração entre a fala das personagens e a do narrador, o uso de lugares-comuns e frases-feitas implicando tradição, permanência, monotonia, a reiteração de caracterizações como fórmulas, a manutenção dos nomes próprios no original; tudo isso visando reforçar o tom que determina o estilo do romance em que, citando novamente Antonio Candido, “a invenção estilística funciona como nivelamento social, de tal modo que, e mesmo sem intenção clara de sugeri-la, o romancista efetua uma espécie de vasta igualitarização.”
A esse respeito, vale a pena recorrer a Alberto Asor Rosa que, no volume Il caso Verga, discute a cisão entre ohomem e o artista valendo-se da que ele chama “ teoria do não obstante”. Conforme é sabido, Verga, filho de uma família da antiga nobreza siciliana, foi um aristocrata ou, no dizer de Asor Rosa, “um rentier de gostos provinciais [...], de horizontes bastante limitados e pouco disponível para um colóquio sobre as grandes questões da cultura contemporânea.
Pois bem, é, não obstante isso tudo, que Verga se torna, ao menos em alguns casos, um grande escritor”. Um dos casos é justamente o de Os Malavoglia (que representa a luta pela sobrevivência) que, juntamente com Mastro-don Gesualdo (representando a tentativa de escalar a hierarquia social) e o inacabado A duquesa de Leyra (protótipo da ambição aristocrática), se insere naquilo que Verga chamou de “o ciclo dos vencidos”, que deveria incluir mais duas obras não escritas, uma representando a ambição política (L’ Onorevole Scipioni) e o outro a ambição artística (L’uomo di lusso). Embora homem de tendência conservadora, Verga, como artista, nesse ciclo e em outros trabalhos, demonstra, indiscutivelmente, uma grande atenção para com figuras do povo e uma preocupação de caráter social. Por isso, e por outros motivos, recebeu ele, em outubro de 1920, a nomeação de senador vitalício, dois anos antes de morrer e um ano antes da constituição do Partido Nacional Fascista e sua entrada no parlamento italiano.
Referências
BRAUDEL, Fernand. "História e Ciências Sociais: a longa duração." In: Revista da História (DH-FFLC), v. 30, n. 62, 1965.
CANDIDO, Antonio. “O mundo provérbio” In: VERGA, Giovanni. Os Malavoglia. Trad. Aurora F. Bernardini; Homero F. Andrade. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
ROSA, Asor. Il caso Verga. Palermo: Palumbo Editore. 1973, pp.166-168.
VERGA, Giovanni. Os Malavoglia. Trad. Aurora F. Bernardini; Homero F. Andrade.São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
VERGA, Giovanni. Mastro-don Gesualdo. Roma: Biblioteca Economica Newton, 1994.
Faits historiques associés à l'œuvre
| Année de début | Année de fin | Événement historique |
|---|---|---|
| 1835 | 1845 | Período Regencial: Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul |
| 1840 | 1840 | Golpe da Maioridade de D. Pedro II |
| 1841 | 1841 | El Salvador se constitui em república unitária e independente das outras repúblicas da América Central |
| 1841 | 1841 | Os governos de Buenos Aires e britânico firmam um tratado contra o tráfico de escravos |
| 1842 | 1842 | Revolução Liberal em São Paulo e Minas Gerais |
| 1843 | 1843 | Começa o estado de sítio de Montevidéu, com as tropas do Governo de Rosas |
| 1844 | 1844 | Segundo Reinado: D. Pedro II anistia os líderes da revolução de 1842 |
| 1845 | 1845 | Morse inventa o telégrafo elétrico |
| 1848 | 1848 | Rebelião Praieira em Pernambuco |
| 1848 | 1848 | Publicação do Manifesto Comunista |
| 1850 | 1850 | A Lei Eusébio de Queiroz extingue o tráfico negreiro |
| 1850 | 1850 | Inauguração da linha de vapores do Rio de Janeiro para a Europa |
| 1850 | 1850 | Criação da província do Amazonas |
| 1851 | 1852 | Conflito: Guerra contra Rosas e Oribe |
| 1852 | 1852 | Conflito: Batalha de Monte Caseros (Argentina). General Urquiza derrota o presidente Rosas |
| 1855 | 1855 | Início da carreira literária de Machado de Assis |
| 1857 | 1857 | 08/03 - ataque incendiário da polícia causa morte de 129 operárias americanas, na fábrica Cotton, em Nova York. Na data, foi instituído o Dia Internacional da Mulher. |
| 1857 | 1857 | Cultura: Flaubert publica Madame Bovary |
| 1859 | 1859 | Ciência: Darwin lança A Origem das Espécies |
| 1861 | 1865 | Guerra da Secessão nos Estados Unidos |
| 1864 | 1865 | Guerra contra Aguirre, do Uruguai |
| 1865 | 1870 | Guerra do Paraguai |
| 1867 | 1867 | Inauguração da estrada de ferro Santos-Jundiaí |
| 1867 | 1867 | Publicação de "O Capital", de Carl Marx |
| 1869 | 1869 | Inauguração do canal de Suez |
| 1870 | 1870 | Intelectuais portugueses debatem idéias anti-burguesas e anti-românticas |
| 1870 | 1870 | Lançamento da Campanha Republicana no RJ |
| 1871 | 1871 | Comuna de Paris |
| 1871 | 1871 | Lei do Ventre Livre, declara libertos os filhos de escravos, nascidos a partir dessa data |
| 1873 | 1873 | Primeiro Congresso do Partido Republicano Paulista |
| 1875 | 1875 | Fim da Questão Religiosa |
| 1876 | 1876 | Conflito: assinatura do tratado de paz que pôs fim à guerra entre Argentina e Paraguai |
| 1876 | 1876 | Ciência: Graham Bell patenteia o telefone, sua invenção |
| 1878 | 1878 | "Batalha do Parnaso" - manifestações anti-românticas do RJ |
| 1880 | 1880 | O Congresso espanhol vota a abolição da escravidão em Cuba |
| 1882 | 1882 | Escola do Recife |
| 1883 | 1883 | Início da Questão Militar |
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| 1885 | 1885 | Lei dos Sexagenários |
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| 1889 | 1930 | Política: República Velha |
| 1889 | 1890 | Encilhamento |
| 1889 | 1889 | Proclamação da República, em 15/11 |
| 1890 | 1890 | Eleita a Assembléia Constituinte |
| 1890 | 1890 | Primeiras revoltas das categorias profissionais urbanas |
| 1891 | 1891 | Deodoro da Fonseca fecha o Congresso Nacional |
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| 1892 | 1892 | Revolução Federalista do Rio Grande do Sul |
| 1893 | 1893 | Revolução Federalista no sul |
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| 1900 | 1900 | O Senado dos Estados Unidos ratifica a decisão da Conferência de Paz de Haya sobre a criação de um Tribunal Penal Internacional. |
| 1901 | 1901 | Cisão no Partido Republicano Paulista |
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| 1909 | 1909 | Filippo Marinetti inicia o Movimento Futurista |
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| 1922 | 1922 | a Rússia torna-se União das Repúblicas Socialistas Soviéticas |
| 1922 | 1922 | Mussolini toma o poder na Itália |
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| 1922 | 1922 | Levante Tenentista do Forte de Copacabana |