Translation Data

Em alto-mar

Writer Edmondo De Amicis (1846-1908)
Translator Adriana Marcolini (1960-...)
Classification Literatura informativa e de viagens Tradução
Years

Year of publication: 2017

Other data
Edition
1
Language
Português
Dimensions
14x23 cm
Publication medium
Impresso
ISBN
9788574924663
Pages
319
Data about the translated originals
Source
  • Projeto Dicionário Bibliográfico da Literatura Italiana Traduzida
Reference AMICIS, Edmondo De. EM ALTO-MAR. Trad. MARCOLINI, Adriana. São Paulo, SP: Nova Alexandria, 2017. 319 p.

Verbete sobre Em alto-mar By N.N. (Nome Desconhecido)

Em Alto-Mar: crônica de uma tradução

Por Adriana Marcolini

Outubro/2024



⠀⠀⠀A ideia de traduzir Sull’Oceano, de Edmondo De Amicis (1846-1908), surgiu quando me deparei pela primeira vez com o livro, durante a minha dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo. Eu não o conhecia e fiquei impressionada com a força daquele relato em que os migrantes deixam de ser apenas números e ganham uma face humana, com seus defeitos, qualidades e medos. Lançado na Itália em 1889, Sull’Oceano foi um sucesso estrondoso: em apenas duas semanas teve dez edições. É o primeiro romance da emigração italiana e um dos poucos livros a enfrentar o tema da emigração na sua fase mais dura e dramática.


⠀⠀⠀O livro narra a travessia que De Amicis fez em 1884 em um navio de emigrantes italianos com destino à Argentina. A embarcação transportava 50 passageiros na primeira classe (entre os quais o escritor), 20 na segunda e 1.600 na terceira – os emigrantes. Também havia cerca de 200 tripulantes. O autor, que na época já era bastante conhecido, tinha sido convidado a visitar a Argentina para ministrar palestras sobre a cultura e a história da Itália. Ele permaneceu três meses no país e também visitou Montevidéu. Na volta à Europa, passou três dias no Rio de Janeiro, durante uma escala da viagem, e foi ciceroneado por um representante diplomático da Itália.


⠀⠀⠀O navio era um microcosmo da sociedade italiana da época. Alguns trechos emblemáticos, como o nascimento de um bebê e a morte de um passageiro, humanizam a narrativa: o primeiro representa a esperança; o segundo, o medo de não chegar ao destino e ter o próprio corpo atirado no oceano, sem direito a uma sepultura. Essa possibilidade aterrorizava os emigrantes, muitos deles camponeses extremamente ligados à terra e à religiosidade católica, que nunca tinham visto o mar.


⠀⠀⠀Outro ponto emblemático é a passagem do Equador: representa o momento em que os emigrantes se dão conta de que estão realmente deixando o país natal para trás. É quando começa a crescer a ansiedade gerada pela incógnita do que virá adiante. 


⠀⠀⠀A embarcação tem um forte componente alegórico na narrativa. É um microcosmo da nova nação que estava tomando corpo após a unificação da Itália, em 1861. A distribuição dos passageiros reproduz a estrutura social italiana da época: a burguesia proprietária na primeira classe, o estrato médio (artesãos, pequenos comerciantes, trabalhadores qualificados) na segunda e o campesinato na terceira. Durante a travessia, essa miniatura da Itália conviveu a bordo. Os 22 dias da viagem e o espaço delimitado pelo perímetro da embarcação funcionam como um elemento de tensão temporal e cenário para a trama – tal como no teatro. No palco, os protagonistas: os emigrantes.


⠀⠀⠀Ao ler Sull’Oceano, me surpreendi ao tomar conhecimento de que nenhuma editora brasileira havia publicado o livro. Era inédito. O edital do Programa de Ação Cultural (Proac), da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, lançado no final de 2011, contemplava a categoria de tradução de obras de domínio público. Inscrevi a proposta da tradução. No início de 2012 veio a notícia de que havia sido selecionada. O financiamento foi de grande valia, mas não incluía a publicação. Encontrar uma editora foi mais difícil do que eu imaginava: entre idas e vindas, foram quase quatro anos de buscas! Até que, prestes a desistir, a Nova Alexandria, uma editora de São Paulo, abraçou a ideia. Mas eles não podiam arcar com todos os custos da publicação. Foi quando apresentei a sugestão de coedição ao então diretor do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, Renato Poma, que aprovou a proposta. Ele ficou surpreso com a notícia de que o livro era inédito no Brasil. Graças ao financiamento do Instituto, também traduzi os dois relatos que De Amicis publicou na imprensa italiana sobre o Rio de Janeiro e que eu havia descoberto na Itália. Ambos foram incluídos na edição.


Apontamentos sobre a tradução

⠀⠀⠀A tradução foi realizada com base na edição de Sull’Oceano publicada pela editora Garzanti, de Milão, em 1996. Na medida do possível, optei por respeitar a forma de escrever do autor. Assim sendo, quando aparecem no texto as grafias de Argentinos (com maiúscula na inicial), italianos (com a inicial minúscula) ou Delegacia (com “D” em maiúscula) foi porque De Amicis escreveu assim.


⠀⠀⠀O escritor inseriu – em itálico – muitas frases e palavras em dialeto (a maior parte em vêneto e genovês), além de algumas em francês e espanhol. Escolhi deixá-las na tradução tal como se encontram no original, para que fosse preservada a fluidez na leitura e fosse mantida a maneira como o autor escreveu. O itálico foi mantido. Coloquei a tradução em notas de rodapé. Dessa forma, também preservei o sabor do texto original e trouxe à tona a riqueza dos dialetos e a diversidade dos passageiros a bordo do navio (assim como deve ter imaginado De Amicis quando manteve as frases e as palavras em dialeto no corpo do texto).


⠀⠀⠀Em Alto-Mar foi lançado em 2017 em edição de capa dura, com tiragem inicial de 1,5 mil exemplares. Está na segunda edição, desta vez em formato brochura. O livro também está disponível no formato e-book. Nas primeiras páginas pode-se ver a foto do navio Nord America (cortesia do Arquivo Histórico Fotográfico da Prefeitura de Gênova), em que Edmondo De Amicis viajou para a Argentina – batizado de Galileo no romance. A edição conta com uma carta ao leitor, escrita por Renato Poma; com a introdução e com a biografia resumida do autor redigidas por mim; e os relatos O sonho do Rio de Janeiro e Na baía do Rio de Janeiro foram inseridos no final, em “Textos avulsos de Edmondo De Amicis”. A cópia de uma ilustração de Arnaldo Ferraguti, feita para a edição de luxo de Sull’Oceano (1890), separa o fim do romance do início desta seção.


⠀⠀⠀A recepção de Em Alto-Mar junto ao leitor brasileiro foi ótima. Foram publicadas várias resenhas e notas na imprensa, com destaque para a de Luiz Zanin Oricchio, Inédito no Brasil, Em Alto-Mar narra viagem transatlântica (8/7/2017), no Caderno 2 do jornal O Estado de S.Paulo, e para a de Antonio De Ruggiero, A grande viagem, no jornal Zero Hora, de Porto Alegre (24/2/2018).


⠀⠀⠀Houve lançamentos em São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Porto Alegre – esse último na 63ª Feira Internacional do Livro. Em 2019, por ocasião do Dia Nacional do Imigrante Italiano, celebrado em 21 de fevereiro, a convite da Embaixada da Itália, fiz uma palestra sobre Em Alto-Mar em um auditório da Câmara dos Deputados, em Brasília. Também foram realizadas várias lives e aulas.


⠀⠀⠀O sucesso de Em Alto-Mar é um incentivo para descobrir outras “pérolas literárias” e fazer novas traduções.


Historical facts associated with the work

Start year End year Historical event
1848 1848 Rebelião Praieira em Pernambuco
1848 1848 Publicação do Manifesto Comunista
1850 1850 Criação da província do Amazonas
1850 1850 A Lei Eusébio de Queiroz extingue o tráfico negreiro
1850 1850 Inauguração da linha de vapores do Rio de Janeiro para a Europa
1851 1852 Conflito: Guerra contra Rosas e Oribe
1852 1852 Conflito: Batalha de Monte Caseros (Argentina). General Urquiza derrota o presidente Rosas
1855 1855 Início da carreira literária de Machado de Assis
1857 1857 08/03 - ataque incendiário da polícia causa morte de 129 operárias americanas, na fábrica Cotton, em Nova York. Na data, foi instituído o Dia Internacional da Mulher.
1857 1857 Cultura: Flaubert publica Madame Bovary
1859 1859 Ciência: Darwin lança A Origem das Espécies
1861 1865 Guerra da Secessão nos Estados Unidos
1864 1865 Guerra contra Aguirre, do Uruguai
1865 1870 Guerra do Paraguai
1867 1867 Inauguração da estrada de ferro Santos-Jundiaí
1867 1867 Publicação de "O Capital", de Carl Marx
1869 1869 Inauguração do canal de Suez
1870 1870 Lançamento da Campanha Republicana no RJ
1870 1870 Intelectuais portugueses debatem idéias anti-burguesas e anti-românticas
1871 1871 Comuna de Paris
1871 1871 Lei do Ventre Livre, declara libertos os filhos de escravos, nascidos a partir dessa data
1873 1873 Primeiro Congresso do Partido Republicano Paulista
1875 1875 Fim da Questão Religiosa
1876 1876 Ciência: Graham Bell patenteia o telefone, sua invenção
1876 1876 Conflito: assinatura do tratado de paz que pôs fim à guerra entre Argentina e Paraguai
1878 1878 "Batalha do Parnaso" - manifestações anti-românticas do RJ
1880 1880 O Congresso espanhol vota a abolição da escravidão em Cuba
1882 1882 Escola do Recife
1883 1883 Início da Questão Militar
1884 1884 Extinção da escravidão no Ceará, Maranhão, Amazonas e alguns municípios do RS
1885 1885 Lei dos Sexagenários
1886 1886 Fundação da Sociedade Promotora de Imigração
1888 1888 Abolição da Escravatura
1889 1889 Proclamação da República, em 15/11
1889 1890 Encilhamento
1889 1930 Política: República Velha
1890 1890 Eleita a Assembléia Constituinte
1890 1890 Primeiras revoltas das categorias profissionais urbanas
1891 1891 Deodoro da Fonseca fecha o Congresso Nacional
1891 1894 Governo Floriano Peixoto
1892 1892 Revolução Federalista do Rio Grande do Sul
1893 1893 Revolução Federalista no sul
1893 1893 Revolta da Armada
1894 1898 Política: Governo Prudente de Morais
1894 1894 Inauguração da Biblioteca Infantil Quaresma
1895 1895 A Coreia declara a sua independência da China
1896 1897 Revolta de Canudos
1896 1896 Ciência: o físico francês Henri Becquerel descobre uma nova propriedade da matéria, a radioatividade
1897 1897 Destruição do Arraial de Canudos
1898 1902 Governo Campos Sales
1900 1900 O Senado dos Estados Unidos ratifica a decisão da Conferência de Paz de Haya sobre a criação de um Tribunal Penal Internacional.
1901 1901 Cisão no Partido Republicano Paulista
1902 1906 Política: Governo Rodrigues Alves
1904 1904 Revolta da Vacina
1906 1906 Em Paris, Santos Dumont voa com o 14-BIS
1906 1906 Convenção de Taubaté (medidas de proteção ao café)
1906 1910 Governo Afonso Pena
1907 1907 Pablo Picasso expõe o quadro Les Demoiselles d´Avignon, em Paris, inaugurando o cubismo
1907 1907 Afonso Pena aprova a Lei do Serviço Militar Obrigatório
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